Magia das Arvores

A árvore é um dos símbolos tradicionais mais essenciais, e seu culto tem sido parte importante e altamente influente na história da religião de quase todas as raças sobre a face da Terra. No culto às árvores de muitas culturas pagãs antigas, a maioria delas era tida como feminina, e a sua seiva, oferecida em cálices dourados aos deuses. Acreditava-se que todas as suas partes possuíam poderes místicos.

As árvores eram símbolo essencial da religião caldéia. Símbolos em forma de árvore foram encontrados nos templos antigos e em cilindros gravados, e há descrições de usos dos ramos tanto nas cerimônias religiosas como mágicas nos textos sagrados dos caldeus.

árvores sagradas estilizadas, cercadas de seguidores e decoradas com guirlandas aparecem em muitas esculturas indianas dos tempos antigos. (Outro estágio de estilização da árvore sagrada é sua decoração com máscara ou artigo de vestuário para simbolizar a deidade; e por fim, a escultura do seu tronco numa estátua.)

Na Grécia, quando se honrava um deus ou uma deusa, eram colocadas grinaldas feitas dos galhos da sua árvore sagrada sobre a mesma, que era então adorada. Penduravam-se também várias oferendas e presentes, troféus de caça e armas dos conquistadores para trazer boa sorte. Mesmo após muito pagãos terem sido convertidos aos novos caminhos do cristianismo, as pessoas continuaram a acender velas e a oferecer pequenos sacrifícios sob árvores sagradas. (Nos tempos atuais os Bruxos ainda penduram guirlandas sobre certas árvores e dançam em torno de seus troncos.)


Yggdrasil

O conceito de universo como árvore aparece repetidamente na mitologia e no simbolismo pagãos, sendo talvez mais bem conhecido na sua forma escandinava, onde, acreditava-se, um freixo gigante sempre verde, conhecido como "Yggdrasil", é a "árvore do Mundo", que liga o Céu ao submundo. Seu tronco sagrado passa pelo centro do mundo, e seus galhos se espalham sobre os céus e estão cheios de estrelas brilhantes. As três deusas do destino habitam suas raízes, junto com uma serpente gigantesca, semelhante a um dragão. Debaixo do Yggdrasil, os deuses teutônicos se reúnem todos os dias para julgar.


Árvore da Vida

O folclore e as mitologias de várias culturas diferentes em todo o mundo contêm uma gigantesca árvore da Vida, que é a essência de todas as árvores e cujos frutos conferem a imortalidade quando comidos pelos mortais.

A árvore da Vida, na lenda nahua, era a piteira, uma planta tropical que se dizia ter sido descoberta pela deusa de 400 troncos Mayauel. De acordo com a antiga religião asteca, o "leite" da piteira fora utilizado pelo deus de cabeça de cachorro, Xolotl, para nutrir o primeiro homem e a primeira mulher criados pelos deuses.

Na Cabala, a árvore da Vida é um diagrama místico de Deus, do homem e do universo, e até na Bíblia (Gênesis, capítulo II) existe menção à árvore da Vida que crescia no Jardim do éden junto com a árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, que originou o fruto proibido.

De acordo com a lenda dos chineses, indianos e sul-americanos, as almas dos mortos ascendem ao reino do paraíso pelo tronco de uma árvore da Vida sagrada.

A macieira era a árvore da Vida adorada pelos antigos celtas. A chinesa era tanto o pessegueiro como a tamareira. A dos semitas era também a tamareira, e a árvore da Vida na história do "Jardim do éden", da Babilônia, era a palmeira.

Na índia, a árvore da Vida sagrada (Asvattha) era a figueira. Como o Yggdrasil, seus galhos atingiam o céu, e suas raízes desciam às profundezas do submundo.

A figueira é tida como a árvore da Vida por muitos povos, sendo com freqüência adorada como a árvore do Conhecimento.

Os kayans do Bornéu Central acreditam que se originaram dos ramos e das folhas de uma árvore da Vida milagrosa que, no início dos tempos, caiu dos céus na terra.


Bosques Sagrados

No Antigo Testamento existem numerosas referências a bosques sagrados e a altares neles erigidos.

Na mitologia grega, um oráculo do deus Zeus estava localizado num bosque sagrado de carvalhos. Um bosque sagrado em Dodona possuía o dom da profecia, e os fogos das vestais que ardiam no bosque consagrado em Nemi consistiam de varetas e galhos de carvalho.

Uma árvore grande dentro de um bosque sagrado representava a deidade masculina dentro da Deusa, tanto como filho quanto como amante, e o ato de quebrar um dos seus galhos significava o mesmo que ameaçar o deus de castrá-lo.

Nos bosques de Diana, em Nemi, os reis sagrados combatiam os inimigos que ousavam quebrar um galho das árvores sagradas. Os sacerdotes patriarcais temiam os bosques sagrados e os consideravam perigosos e maus. Aqueles que os tentavam destruir eram punidos com uma maldição da mãe-Deusa, como aparece em vários mitos moralizantes, como o de Erisichton, que foi transformado num mendigo sujo e desgraçado pela ira da deusa Demeter.

O bosque sagrado de ciprestes, em Filos, no Peloponeso, era um abrigo para os que escapavam da prisão, e os ramos das árvores ficaram repletos de algemas e correntes dos fugitivos da Justiça.

As sete árvores sagradas do bosque irlandês eram o vidoeiro, o salgueiro, o azevinho, a aveleira, o carvalho, a macieira e o amieiro. Seus dias sagrados e correspondências planetárias são:


árvoreDiaPlaneta
VidoeiroDomingoSol
SalgueiroSegunda-feiraLua
AzevinhoTerça-feiraMarte
AveleiraQuarta-feiraMercúrio
CarvalhoQuinta-feiraJúpiter
MacieiraSexta-feiraVênus
AmieiroSábadoSaturno

O santuário druida mais conhecido era o bosque sagrado em Derry. Protegido também pelo medo de uma maldição, seu nome mágico é até hoje invocado na frase dos bardos "Hey Derry Down", no coro das antigas baladas celtas.